Assina a petição em defesa da nossa horta.

sábado, 30 de julho de 2011

Abóbora Comunitária da Damaia

A Horta Comunitária da Damaia Foi Atacada - Parece que Foi Estilo PREC

Poke | Spectrum

Na praceta Luis Verney na Damaia há décadas que nada se passava. Foram construídos uns prédios, que acabaram por fechar a praceta quase totalmente deixando no centro um edifício da antiga escola primária - um barracão pré fabricado. Um barracão e muito mato que depressa se transformou em matagal de ervas daninhas.
Há 6 meses sensivelmente um grupo de moradores decidiu pôr mãos à obra e limpou uma parte considerável do terreno e iniciou a plantação de produtos agrícolas. Como amadores nas artes hortelãs foram aprendendo o que e como fazer, foram despertando a curiosidade em mais vizinhos e foram elaborando algumas actividades a bem daquela praceta e das zonas envolventes, com especial incidência em actividades para a miudagem.
Anunciavam os hortelões um evento para amanhã, sábado 30 de Julho - um pic-nic sem Tony Carreira mas como início de uma nova fase na obra da Horta Comunitária da Damaia.
A Câmara da Amadora que deixou décadas a praceta ao abandono decidiu participar na festa da melhor maneira que arranjou, decidiu destruir o pavilhão que lá havia e que era o local onde se guardava a logística da Horta. E qual a razão para tal feito? Parece que era para mostrar "Aquilo é um espaço municipal e isto não é o PREC"(sic).
Como no caso da ES.COL.A logo a autarquia arranjou um projecto fantástico para a zona, provavelmente para a “moda não pegar”.
Não sei se o melhor é pedir à Raquel do 5 dias para ir explicar ao Sr. Vereador Gabriel Alexandre Lorena de Oliveira (PS - responsável pelo pelouro da Área do Planeamento e Gestão de Comunicações, Transportes, Trânsito e Toponímia; Áreas de Obras Municipais; Produção e Manutenção da Rede Viária; Mobiliário Urbano e Publicidade; Espaços Verdes; Iluminação Pública; Saneamento Básico; Área da Gestão Urbanística) o que foi o PREC e que o objectivo do mesmo não era necessariamente Hortas Comunitárias. Ou se será melhor este Sr. ir amanhã visitar o pic-nic que se vai continuar a realizar, pode ser que aprenda alguma coisa.
Uma coisa é certa a Horta continua de pé porque os vizinhos se opuseram à destruição das áreas plantadas e conhecendo bem os hortelões envolvidos a coisa não ficará por aqui. A horta vai ser uma realidade e na Praceta Luis Verney!
E pode ser que nas próximas eleições o Sr. Gabriel Oliveira tenha o PREC que merece.

Espiral de Ervas Aromáticas

Horta Comunitária da Damaia

Mariana Avelãs | Circo Lusitano

Não faço puto de ideia de onde é que sou. Escrevo Caldas da Rainha em tudo o que é formulário (e pasme-se, fiquei a saber que tinha mudado de local de nascimento quando tirei o cartão de cidadão), mas podia escrever Luísa Arroz, que é a única coisa que me liga às Caldas desde 1979. Percebi que gostava de Lisboa quando vivia na Irlanda, e fiz dela a minha cidade a ponto luz bordada. Nunca tinha reparado que a luz podia ter nuances de telhados e colinas e que as janelas são o que define as casas, até me ver perdida duas vezes por ano numa terra que supostamente era a minha, mas em que eu era temporariamente estranha a tudo. A luz de Lisboa acalmava-me, quando os amigos  me pediam para resumir num café toda uma outra vida banal, mas feita de outras luzes, e eu via por toda a parte gente que não podia estar cá, sabendo que quando regressasse à minha Irlanda de estudantes sempre em trânsito ia sentir todas as ruas povoadas de ausências. Em Lisboa, em Coleraine ou nas Caldas da Rainha, as minhas raízes serão sempre de carne e osso, porque as pessoas são as únicas coisas que crescem de acaso para raiz.
Toda a santa vidinha andei em escolas longe de casa, e nunca, mas mesmo nunca, por pruridos imbecis dos meus pais quanto a rankings e disparates quejandos. Sim, fui estudar para a Damaia voluntariamente, antes de lá morar. Para a Damaia, sítio que sempre detestei, porque se apanhava um comboio para ir para Lisboa, sendo que Lisboa ficava a 5 minutos de distância. Sítio onde se pagava tarifa 4 num taxi à noite, que fazia com que 100 metros ficassem mais caros do que ir do Bairro Alto até às Portas de Benfica. Sítio onde o único autocarro acabava às 7 da tarde, e passava de meia em meia hora (tudo isto mudou entretanto). Mas sítio cheio de gente que já era a minha gente quando para lá fui viver. E sítio que me dá um gozo do caraças citar agora, porque parece que a minha vida absolutamente normal e pacífica passou a ser um tratado suburbano de sobrevivência multicultural. Triste é saber que uma das minhas escolas, coladinha à Cova da Moura, passou a ser uma escola de rankings, que selecciona alunos e sacrifica aquilo que tinha de melhor: gente de toda a espécie e feitio, bons alunos e maus alunos, que faziam dela uma escola igual às outras todas. Sim, pasmem: uma das escola da Damaia, colada à Cova da Moura, é agora uma escolazeca de elite. Pior para quem lá anda.
Porque a Damaia é um sítio igual a todos os outros. Onde continua a morar muita da minha gente, que é tão minha como a gente que se fez minha por outras partes, mas nem por isso menos minha. E não pondo eu lá os pés há muito tempo, tenho um orgulho estúpido neste projecto: Horta Comunitária da Damaia. E não é só porque gosto muito de quem o planta que vos convido a assinar a petição. A Damais é um pormenor; quem faz coisas destas é que não.

Mural

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